Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Quinta, 23 Setembro 2021 17:18
ACESSIBILIDADE

Em seis anos de existência, Central de Interpretação de Libras promove o elo entre os surdos e a cidadania

Instituída em 2015, a CIL tem como finalidade garantir o atendimento público adequado para a comunidade surda alagoana

Com o auxílio de Gilmara, Matheus busca esclarecimentos do seu processo através de ligação por celular Com o auxílio de Gilmara, Matheus busca esclarecimentos do seu processo através de ligação por celular Daniel de Oliveira
Texto de Daniel de Oliveira

“O silêncio torna-se uma barreira entre surdos e ouvintes, mas a língua de sinais pode quebrá-la”. A frase estampada na sala principal da Central de Interpretação de Libras (CIL) traduz a importância deste método de comunicação, celebrado no Brasil e em outros países ao redor do mundo na data simbólica de 23 de setembro, Dia Internacional da Língua de Sinais.

Em Alagoas, a CIL vem promovendo de forma mais incisiva, desde 2015, a derrubada deste muro através do atendimento público em Libras - a Língua Brasileira de Sinais - para a população com deficiência auditiva, surda e surdo-cega.

Criada a partir de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh) e a Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal (SDH/PR), a Central de Interpretação de Libras atende por meio de agendamentos, de maneira espontânea e interna, tratando de assuntos, necessidades e demais interesses da comunidade em Maceió e Delmiro Gouveia.

Em 2021, a CIL chegou ao seu sexto ano de funcionamento, dando voz e atendendo as demandas de uma parcela da população que costuma viver com o esquecimento perante à sociedade. Para a secretária da Mulher e dos Direitos Humanos, Maria Silva, o atendimento às pessoas surdas é a efetivação do direito de cidadania. “A inclusão das pessoas surdas é uma necessidade urgente na nossa sociedade. Viabilizar ferramentas que consigam ser um elo entre essas pessoas e os serviços de atendimento é fazer valer o seu direito civil, é dar garantia de seus direitos básicos, humanos. O serviço da CIL é um instrumento para assegurar a inserção social das pessoas surdas”, diz a secretária.

Já Gino César, superintendente de Políticas para os Direitos da Pessoa com Deficiência da Semudh, ressalta a importância da CIL enquanto forma de inclusão. “O mês de setembro é marcado por manifestações de apoio à luta em defesa da língua de sinais, da inclusão da pessoa surda na sociedade. Aqui em Alagoas, a CIL foi implantada com o propósito de facilitar os atendimentos públicos à pessoa com deficiência, garantido a acessibilidade. Hoje nós funcionamos na capital e outra no alto sertão, em Delmiro Gouveia”, conta o superintendente.

Atendimento na pandemia

No período pré-pandemia, a Central chegou a atender, em média, 120 surdos por mês. Com a chegada do novo coronavírus, a CIL teve que se adaptar para continuar fornecendo auxílio aos surdos e deficientes auditivos. Assim, também foram realizados os atendimentos de forma remota.

Desde então, foram mais de 200 atendimentos resolvidos somente de maneira remota. Trata-se de um número considerável, uma vez que muitos órgãos estavam fechados por bastante tempo e outros não aceitam a intermediação em libras por vídeo chamada. 

Até o dia 20 deste mês, a Central de Interpretação de Libras havia atendido, aproximadamente, 45 surdos. 

Experiências

Um dos surdos que utilizam os serviços da CIL com frequência é o pedagogo Rosinaldo Santos Silva, de 48 anos. Ele conheceu a Central na escola em que trabalhava como professor de Libras, buscou atendimento pela primeira vez para resolver problemas envolvendo suas medicações.

“É uma ferramenta mais que importante! O surdo se sente igual a qualquer outra pessoa ouvinte e a CIL respeita isso. Já estive aqui (na CIL) inúmeras vezes. Sempre que preciso eu venho aqui e sempre consegui resolver tudo", declara o pedagogo.

Na ocasião atual, Rosinaldo procurou o acompanhamento da Central para poder mudar-se ao seu novo apartamento. "Não consigo estabelecer comunicação com as pessoas, corretores, empresas. A falta de comunicação é imensa. Por escrita simples, tudo bem, mas fica mais difícil quando é algo mais complexo. Por isso eu procurei a CIL, pois eu posso perguntar sobre tudo", afirma.

Já o repositor Matheus Lima de Arruda Melo soube da existência da Central de Interpretação de Libras através da intérprete Gilmara Farias, conhecida de tempos anteriores, e sempre faz questão de exaltar a importância da ferramenta. Ele já frequentava a CIL e, desta vez, buscou atendimento após se sentir prejudicado em uma negociação que fez. 

"Aqui a gente tem contato, a gente resolve coisas do INSS, problema com a família, um título de eleitor extraviado, um prejuízo que o surdo tem, um cartão bloqueado, pessoas que você não consegue entender o que está se passando. Enfim, a CIL é importante  em todos os sentidos e a comunidade surda de Alagoas sente a importância desse setor", ressaltou Matheus.

Elo entre surdos e ouvintes

Para a comunicação ser efetiva, é preciso que a mensagem chegue ao receptor de forma completa. Mas, no caso de surdos e ouvintes, é complicado estabelecer uma conversa onde um utiliza uma língua oral e o outro em sinais. Assim, para que esse caminho seja percorrido por sucesso, entra o papel de Gilmara Farias, intérprete da CIL.

É desta maneira que a profissional consegue direcionar os surdos para a resolução de seus problemas ou outras demandas, além de garantir os direitos que a estes são garantidos. Com isso, Gilmara vê a sua atividade além de apenas um trabalho, algo que engloba muitos outros aspectos.

"Interpretar é para mim mais que uma ação do meu trabalho, é como uma missão, onde através da minha sinalização consigo levar informação, conhecimento, esclarecimento sobre os mais diversos contextos, podendo contribuir assim com a resolução de vários problemas enfrentados pela Comunidade Surda de Alagoas. E ser esse elo é ter a responsabilidade de ser o outro quando empresto minha voz para os surdos", afirma Gilmara.

Agendamento

Para acessar os serviços, deve ser feito um agendamento pelos números (82) 3315-1740 e (82) 98833-9063, através de um familiar, de forma presencial ou através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O horário de funcionamento é das 8h às 12h, 13h às 16h. A Central em Maceió está localizada na Rua Dr. Augusto Cardoso, no bairro da Jatiúca. Em Delmiro, na Rua Linduarte Batista Vilar, nº 79, no bairro Eldorado.

Caso o solicitante julgue que a demanda só é possível de resolver presencialmente, é necessário dirigir-se à CIL para realizar o agendamento. Posteriormente, o caso será submetido a uma análise para verificar qual o melhor meio para o atendimento.