Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Segunda, 12 Julho 2021 15:39
PROTEÇÃO

Busca por atendimento à vítimas de violência doméstica triplica no CEAM em 2021

Os números analisam o mesmo período de janeiro à junho em relação ao ano de 2020

O Centro Especializado de Atendimento à Mulher – CEAM está localizado no bairro da Jatiúca e disponibiliza atendimento em diversas áreas. O Centro Especializado de Atendimento à Mulher – CEAM está localizado no bairro da Jatiúca e disponibiliza atendimento em diversas áreas. Letícia Sobreira
Texto de Letícia Sobreira

“Quando uma mulher chega até nós para buscar ajuda ela se encontra fragilizada, muitas vezes em um estado emocional de vulnerabilidade. Por ter consciência disso trabalhamos para que o atendimento seja feito da forma menos dolorosa possível. É preciso que a gente tenha o cuidado de não expor ela a novas violências nos momentos de escuta e realização de denúncia”, conta Maria Silva, secretária da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), órgão que responde pelo Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM).

 Quebrar um ciclo de violência requer coragem, informação e acolhimento. Por compreender esses aspectos, a equipe do CEAM oferece suporte em diversas áreas para as mulheres vítimas de violência, através da oferta dos serviços de assistência jurídica, social e psicológica, além da opção de confecção de Boletins de Ocorrência. Neste ano, de janeiro ao fim do mês de junho, foram registrados 646 procedimentos no Centro, número quase quatro vezes maior que o do mesmo período do ano passado, onde foram contabilizadas 166 realizações. 

Os procedimentos se dividem entre os serviços disponibilizados no equipamento, sendo: Acolhimentos na Sala Lilás, onde é realizada uma escuta única com a equipe multidisciplinar; Atendimentos psicológicos pontuais e continuados; Atendimentos de serviço social; Atendimento jurídico; Confecção de Boletim de Ocorrência; Encaminhamentos para o Instituto Médico Legal; Encaminhamento para a Rede de Atendimento no interior e até em outros estados e solicitação de Medida Protetiva.

 

Ampliação de serviços

 

Em comparação com o primeiro semestre de 2020, neste ano o CEAM conta com a disposição de mais dois serviços, sendo a confecção de Boletins de Ocorrência e a escuta multidisciplinar na Sala Lilás, ambos inaugurados em agosto do ano passado, garantindo a oferta de um atendimento mais completo. Desde a efetivação do serviço, já foram registrados 136 B.O ‘s.

 Para Dilma Pinheiro, superintendente de Políticas para a Mulher, o aumento da procura pelos serviços do CEAM tem acontecido por causa de uma maior divulgação da sua existência e pela ampliação dos serviços. “Temos trabalhado cada vez mais na publicidade do CEAM, com campanhas de propaganda  entre a Rede de Atendimento à Mulher, em outros órgãos do Estado, e até mesmo nas redes sociais. Além de que cada mulher atendida acaba compartilhando em algum espaço sua experiência com a gente, o que pode gerar interesse e despertar outras mulheres que se encontram em situação de violência. É uma corrente do bem. Outro fator tem sido a ampliação dos serviços, especialmente a realização dos Boletins de Ocorrência, que possibilitou que pudéssemos oferecer um serviço mais completo de enfrentamento à violência doméstica e, acima disso, de proteção à mulher vítima da violência”, explica.

 “Muitas mulheres que vieram para cá espontaneamente, que procuraram os nossos serviços sozinhas, relataram que viram a divulgação do CEAM nas redes sociais ou através de entrevistas no rádio ou na televisão. Observamos que a propaganda constante tem surtido muito efeito na demanda de procura que recebemos aqui. Outro ponto é a continuidade nos atendimentos psicológicos. Hoje a gente observa que as mulheres têm tomado mais consciência da importância dessa ferramenta na hora de sair de um ciclo de violência e depois para conseguir superá-lo”, pontua Martha Ferreira, coordenadora do CEAM.

 

Atendimento humanizado

 

“No CEAM eu me senti melhor do que na minha própria casa, porque lá é um lugar que acolhe a gente de coração”, conta Fátima*, que faz acompanhamento no Centro e é uma das assistidas pela Patrulha Maria da Penha (PMP). “Primeiramente agradeço a Deus, em segundo a eles na terra, porque já me salvaram de três tentativas de suicídio”, relata. “Quando eu tentei contra a minha vida, meu filho ligou para eles (a guarnição da patrulha) e vieram até a minha casa... Quando eu preciso, vou no CEAM, lá eu sei que vou ouvir uma palavra de aconchego, vou ser bem tratada e ouvida”, diz a mulher.

 Fátima é uma das mais de 900 mulheres que já foram assistidas pela Patrulha Maria da Penha desde a sua criação, em 2018. Com sede também no CEAM e funcionamento 24h, a PMP tem atuação em Maceió e Arapiraca, sob o comando da Major Márcia Danielli. “Quando encontrei a Major, depois de um momento crítico, ela olhou para mim e me disse que eu não estava só, que Deus estava comigo e que eu era uma luz. Foi muito emocionante”, falou.

 A Patrulha Maria da Penha foi um projeto elaborado em conjunto através das secretarias de Estado da Segurança Pública (SSP) e da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), além do Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública de Alagoas. O trabalho desenvolvido pela PMP consiste na execução e fiscalização das medidas protetivas concedidas pelo Estado às mulheres vítimas de violência doméstica.

 

Alguns dados

 

Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que também houve aumento no número de registros de Boletins de Ocorrência sob a Lei Maria da Penha (nº 11.340) em Alagoas. Enquanto de janeiro a maio de 2020 foram confeccionados 1.460 B.O ‘s, em 2021, entre os mesmos meses, foram contabilizados 1.757. Mas segundo o Atlas da Violência 2020, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Alagoas está entre os três estados que obtiveram uma redução mais expressiva na taxa de homicídio de mulheres, sendo 40,1% a menos.

 A secretária Maria Silva explica que a alta na procura pelos serviços de atendimento não significam necessariamente um aumento no índice de violência doméstica no Estado. “A violência contra a mulher é milenar. Somente no século XXI é que conseguimos acordar a sociedade para fazer esse enfrentamento, para criar mecanismos de defesa. O que quero dizer é que a demanda sempre esteve aí, e agora estamos começando a suprir essa necessidade”, afirma.

  A denúncia de violência doméstica e/ou familiar também pode ser realizada, de forma anônima, pelo Disque 180, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, pelo Disque-Denúncia 100 ou ligando para o 190 da Polícia Militar. Outros telefones úteis são: Superintendência de Políticas para a Mulher: 98833.9078; Núcleo Especial de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública de Alagoas – NUDEM: 98833-2914; Delegacia de Defesa da Mulher I (Centro): 3315-4976; Delegacia de Defesa da Mulher II (Salvador Lyra): 3315-4327; Delegacia de Defesa da Mulher III (Arapiraca): 3521-6318; Juizado de Violência Doméstica e Familiar (Maceió): (82) 9 9982-3059; Comissão da Mulher e Direitos Humanos da OAB/AL: (82) 99104-7116.

 Com atendimento ao público disponível das 8h às 17h, o Centro Especializado de Atendimento à Mulher – CEAM está localizado na Rua Dr. Augusto Cardoso, s/n. no bairro da Jatiúca. Qualquer dúvida pode ser sanada por contato pelo telefone (82) 3315-1740 ou através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

*Fátima é um nome fictício usado para proteger a identidade da vítima.