Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Sexta, 20 Dezembro 2019 18:07
MULHER

Vítimas de violência psicológica encontram apoio no CEAM

Equipe multidisciplinar da instituição realiza acompanhamento contínuo com mulheres vítimas de violência doméstica e familiar desde 2013

Equipe multidisciplinar atende a vítima e seus familiares Equipe multidisciplinar atende a vítima e seus familiares Ascom Semudh
Texto de Joanna de Ângelis e Letícia Sobreira

“Há um ano estava em um mar de lágrimas. Desestruturada. Hoje sou outra pessoa”. Este foi o depoimento de Lúcia*, 40 anos, uma das mulheres assistidas pelo CEAM em 2019. Lúcia sofria abusos psicológicos do filho adolescente que antes, envolvido com drogas, tinha transformado a sua vida em um cenário de dor e solidão. “Aqui no CEAM fui acolhida. Abraçada. Me senti segura. Fui vítima do meu próprio filho e aqui consegui forças para tomar uma posição e mudar toda a minha situação”, contou.

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CEAM), da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), inaugurado em 2013, conta com uma equipe formada por profissionais como assistente social, psicólogas e advogada. O serviço realizado pela equipe multidisciplinar é continuado, onde a vítima dispõe de mecanismos que a auxiliam na sua proteção e na melhoria da qualidade de vida.

“Nossa equipe realiza um trabalho excepcional com as mulheres que procuram o auxílio do CEAM. É um orgulho trabalhar com pessoas tão dedicadas. Temos um compromisso com seres humanos e o honramos diariamente”, afirmou a secretária da Semudh, Maria Silva.

Dados de atendimento

De maneira espontânea ou por meio de entidades parceiras como as Delegacias da Mulher e o 4º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, o atendimento é realizado no CEAM de acordo com as especificações de cada caso.  Em situações onde a denúncia de agressão ainda não foi realizada, é feito o encaminhamento da vítima para a Delegacia da Mulher, enquanto a advogada leva o caso ao 4º Juizado, em busca da medida protetiva.

“Nunca achei que um dia precisaria de auxílio psicológico para me sentir segura em minha própria casa”, disse Márcia*, vítima de violência doméstica pelo companheiro em 10 anos de união. “Hoje estou vivendo uma nova vida. Melhor e totalmente diferente. Nunca imaginei o quanto o CEAM me ajudaria e hoje sou grata a toda equipe”.

Confraternização das mulheres assistidas pelo CEAM

Segundo dados de 2019 do CEAM, a média mensal chegou a 38 atendimentos, desde acompanhamento psicológico e de assistência social, até encaminhamento jurídico às entidades parceiras, como a Defensoria Pública, Ministério do Trabalho e Delegacias em geral, totalizando 457 atendimentos no ano. Deste total, 59,3% correspondem a atendimento psicológico continuado, realizado na sede do CEAM por meio das psicólogas da equipe.

Daisy*, de 30 anos, sofreu abusos psicológicos e violência física do ex-marido, durante a gravidez de sua filha mais nova, hoje com apenas dois anos. “Ele me trancava em casa, me acompanhava na ida e na volta da faculdade, e ainda me acusava de traí-lo, constantemente. Afirmava que a filha que eu esperava não era dele, e me agredia quando eu tentava discordar de qualquer coisa que ele falava”, relatou. “Minha família me deu as costas, de tantas vezes que pedi ajuda. Antes da gravidez, tentei suicídio. Me joguei de um carro em movimento. Pra mim, aquilo não era viver. Toda a minha força veio da vontade de superar, de lutar pela minha filha”.

Assistida pela equipe de psicólogas do CEAM, Daisy* hoje celebra a liberdade e as conquistas diárias. “Hoje eu trabalho como professora onde ele me dizia que eu só seria a faxineira, por ser negra. Terminei minha faculdade. Tenho vida social. Até arrumei um namorado, mas quando ele reclamou do meu cabelo e disse que ‘se eu cortasse não precisava aparecer mais’, falei ‘quem não vai mais aparecer é você, meu querido’. Abuso nunca mais”, disse entre risos.

 Patrulha Maria da Penha

Com o objetivo de agilizar o atendimento à vítima e desafogar o fluxo da denúncia, a Patrulha Maria da Penha, coordenada pela major Márcia Danielli, tem funcionamento dentro da sede do Ceam.

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A integração dos mecanismos de proteção garantem atendimento humanizado e seguro, como também impedem o deslocamento desnecessário da vítima. A fiscalização do cumprimento das medidas protetivas de urgência, por parte do agressor, também é uma das funções da guarnição.

“Eu só tenho o que agradecer. À Patrulha, à minha psicóloga, à todas as mulheres daqui que me deram força pra sair de um inferno dentro da minha própria casa”, contou Fátima*. “Hoje eu conto a minha história e nem choro mais. O que tinha que chorar, eu já chorei durante anos. A partir de agora vai ser só felicidade”, completou.

Canais de denúncia

O CEAM fica localizado na Rua Augusto Cardoso Ribeiro, s/n, Jatiúca, (transversal à Rua Dr. Antônio Gomes de Barros – antiga Av. Amélia Rosa). O contato pode ser realizado por telefone (82) 3315-1740.

A denúncia de violência doméstica e/ou familiar também pode ser realizada de forma anônima pelo Disque 180, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, pelo Disque-Denúncia 100 ou ligando para o 190 da Polícia Militar.

*Nomes fictícios para proteger a identidade das entrevistadas