Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Quinta, 21 Novembro 2019 15:49
ARTE E RESISTÊNCIA

Mulher trans assina obra para o troféu do Prêmio Alagoas de Direitos Humanos 2019

Aos 70 anos, Suham Torres é uma artista plural, com encantos das telas aos palcos

Suham fez da sala de casa o seu ateliê, onde trabalha na companhia dos bichinhos de estimação e deixa alguns trabalhos expostos Suham fez da sala de casa o seu ateliê, onde trabalha na companhia dos bichinhos de estimação e deixa alguns trabalhos expostos Letícia Sobreira
Texto de Letícia Sobreira

Um pensamento atribuído a um grande filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, diz que “a arte torna a vida suportável”. Talvez tenha sido na arte que Suham Torres encontrou a dose de força que precisava para suportar tantos desafios, como ter que abandonar a família para poder deixar de viver à sombra de alguém que não era verdadeiramente ela.

Com sete décadas de vida e quebrando qualquer paradigma, Suham tem seus anos recheados de histórias – especialmente as de força e resistência. Alagoana, mulher trans, artista plástica, dançarina e performer, ela assinará o troféu da segunda edição do Prêmio Alagoas de Direitos Humanos, que será realizado no dia 06 de dezembro, pela Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, no Hotel Ritz Lagoa da Anta.

“Sempre fui uma menina. Fazia um personagem que era pra poder sobreviver”, conta Suham sobre sua identidade de gênero que só pôde assumir depois dos vinte anos, já nas distantes terras da metrópole paulistana. Longe dos familiares e dos amigos, Suham viveu em São Paulo e Salvador antes de retornar à Maceió, sua cidade natal. Na luta por uma vida digna, se submeteu a extensas jornadas de trabalho que tentava conciliar com o estudo, conseguindo fugir da sentença da prostituição e vícios aos quais as pessoas transexuais e travestis são comumente lançadas.

Ao viver sua juventude em uma época de repressão, a artista tem lembranças vívidas sobre o que é crescer sob as rédeas de um regime autoritário, temática que rege o Prêmio Alagoas de Direitos Humanos 2019. E assim aprendeu: “Direitos humanos são os nossos direitos de igualdade, independente de raça, cor, etnia, religião, sexo e gênero”, declara Shuam.

As telas de Suham são marcadas por cores e expressividade, ambas vibrantes. “Sempre procuro retratar nas minhas artes algo de verdadeiro no nosso cotidiano, a luta por igualdade e o respeito por todos os seres humanos”, diz a artista. De fato, para as pessoas da comunidade LGBT ou de outro grupo de minoria social, o dia a dia é constituído por batalhas constantes. No caso de Suham, chegar à terceira idade, acontecimento que parece comum, é uma conquista sem igual. No Brasil, a expectativa de uma pessoa transexual é de 35 anos de idade.

“Em tempos de tantos retrocessos e afirmações que diminuem o caráter assombroso do que foi o período da Ditadura Militar no Brasil, falar de direitos humanos e trazer à tona histórias como a de Suham é uma forma de reafirmar o nosso compromisso com a liberdade e a garantia de direitos básicos”, disse Maria Silva, secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos.

Histórico

O Prêmio Alagoas de Direitos Humanos é uma iniciativa do Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), teve a sua primeira edição realizada em 2018, na qual homenageou a Major Márcia Danielle, comandante da Patrulha Maria da Penha em Alagoas, Hemerson Casado, médico, portador da Ela – Esclerose Lateral Aminiotrófica, ativista dos direitos na Saúde, e o jornalista Caco Barcellos, pela defesa dos direitos humanos nas pautas jornalísticas e livros que escreveu, reconhecido pela ONU – Organização das nações Unidas,  como um dos profissionais mais atuantes dentro dessa temática.

2019

Este ano, os principais homenageados do evento são o padre Manoel Henrique, pelo ativismo nas causas sociais em defesa dos mais vulneráveis, a arquiteta Mônica Benício, esposa da vereadora pelo RJ, Marielle Franco, assassinada brutalmente, crime que até hoje não foi solucionado. Mônica luta incessantemente em busca de justiça para o caso Marielle; e o advogado e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, pelo papel na entidade na defesa dos direitos humanos.