Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Sexta, 09 Agosto 2019 15:43
PERIFERIA

Terceira escuta do Projeto Juventude Negra: Vidas Importam acontece na Ponta Grossa

Alunos da Escola Nosso Lar I e moradores da região participaram do encontro articulado junto à direção da instituição

Encontro integra a programação do projeto que culminará no Seminário Metropolitano da Juventude Negra, que será organizado pela Semudh Encontro integra a programação do projeto que culminará no Seminário Metropolitano da Juventude Negra, que será organizado pela Semudh Joanna de Ângelis
Texto de Joanna de Ângelis

ar voz e visibilidade aos jovens da periferia de Maceió é um dos principais objetivos do projeto Juventude Negra: Vidas Importam, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos – Semudh. A terceira oitiva aconteceu no bairro da Ponta Grossa, na Escola de Ensino Fundamental Nosso Lar I, na quinta-feira (08), e contou com a participação de alunos da instituição e moradores da área e de bairros próximos.

WhatsApp Image 2019 08 09 at 12.52.20 10 

"Estamos aqui para ouvir e buscar as melhores formas de ajudar a instituição e a própria comunidade da região", afirmou a secretária da Semudh, Maria Silva, ponto que também foi reforçado pelo superintendente de Políticas para os Direitos da Pessoa com Deficiência, Gino César, “Ouvir a população é uma das estratégias mais eficazes no desenvolvimento de ações que contribuam para o crescimento e ampliação das áreas de conhecimento dos jovens de hoje”, destacou Gino. Também estiveram presentes o superintendente de Políticas para os Direitos Humanos e a Igualdade Racial, Mirabel Alves, e o consultor Ernandes Macário.

Na ocasião foram realizadas apresentações artísticas do grupo Abadá-Capoeira e da Rede Cenafro. Ambos trabalham com projetos culturais dentro da Escola Nosso Lar I, com alunos de todas as idades.

Humanização

As principais reivindicações foram sobre a falta de segurança, saúde precária e a inexistência de espaços de lazer na região. Álvaro Rodrigo, estudante, e Marciela dos Santos, mãe de aluno, contaram histórias sobre abordagens bruscas sofridas diversas vezes, do tratamento desumano e da falta de estrutura da área, como saneamento básico e iluminação. “Existe um grande preconceito e um julgamento automático que acontece por conta da nossa aparência, do jeito que nos vestimos, andamos, falamos. As pessoas não nos conhecem e já pensam que somos da “maloqueiragem”, que estamos fazendo algo de errado”, conta Álvaro. “Meu filho de 10 anos não pode mais brincar na rua, por medo. Quando ele passa o dia inteiro na escola eu agradeço a Deus pela oportunidade de aprender mais e participar de alguma atividade que ajude no seu desenvolvimento. É algo que faz muita falta”, ressaltou Marciela.

WhatsApp Image 2019 08 09 at 12.52.20 6

Os integrantes do Abadá-Capoeira, Luciano Francisco e Marven Vieira, destacaram o quanto a educação protege e ajuda a criar um caminho melhor para os jovens de hoje e como as escutas podem ser úteis para mudar o cenário atual. “O certo é investir na nossa educação, nos esportes, na cultura. A educação e a inclusão sempre serão o melhor caminho”, afirmou Marven, que também faz parte do projeto Esporte que Transforme, da ONG O Consolador, para crianças carentes. “Queríamos dar um futuro melhor para os nossos filhos e netos, com boa saúde, com tudo de bom que a gente sempre sonha. Mas é justamente através do diálogo que deve ser resolvido. Se não falamos, não somos ouvidos e não somos lembrados”, completou Luciano.

Presença e Integração

O encontro foi articulado junto à diretora da instituição, Gilda Verbena, e a professora e funcionária da secretaria da escola, Ana Carla. “É imprescindível a presença do Governo dentro da escola, pois quando ele se ausenta o poder paralelo assume. É uma oportunidade que a periferia tem para falar, pois, quando estamos próximos nós derrubamos o muro que nos afasta das autoridades que realmente querem ajudar e podem mudar a realidade. O encontro cria uma ponte. A instituição representa diversas comunidades que necessitam de atenção. Fazer a comunidade ser ouvida dá uma esperança de algo realmente pode e vai mudar pra melhor”, destacou Gilda.