Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Quinta, 11 Julho 2019 16:40
DIVERSIDADE

Semudh nomeia uma mulher trans para a instituição

Jade Soares faz história ao integrar a Superintendência de Políticas para os Direitos Humanos e a Igualdade Racial

Jade é a primeira servidora Trans da Superintendência de Políticas para os Direitos Humanos e a Igualdade Racial Jade é a primeira servidora Trans da Superintendência de Políticas para os Direitos Humanos e a Igualdade Racial Cortesia - Jade Soares
Texto de Ana Cristina Sampaio e Joanna de Ângelis

A Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos – Semudh - nomeou neste mês de julho a ativista e militante do movimento de travestis e transexuais de Alagoas, Jade Soares, como assessora técnica de Promoção dos Direitos de LGBTs da Superintendência de Políticas para os Direitos Humanos e a Igualdade Racial - SUPDHIR.

Casada, estudante de Enfermagem da Escola Santa Juliana, e de Gestão Pública na UNOPAR, Jade é a primeira funcionária transexual da Secretaria a assumir uma função técnica que está vinculada à sua condição de mulher trans. De origem quilombola, de Santa Luzia do Norte, de onde saiu há 16 anos, ela conta que é a primeira vez que assume num órgão público o desafio de atuar numa assessoria relacionada à área na qual é militante. Até então, trabalhou em Organizações Não Governamentais como a Pró-vida e a Metamorfose), em ambas foram 10 anos de contribuição

A nova funcionária não esconde a alegria pela conquista. “São muitas as expectativas, considerando que essa é uma reivindicação antiga da comunidade trans, que ainda busca sair da invisibilidade social, um membro da sociedade civil organizada que não fazia parte de nenhuma gestão”. Jade acredita que o exemplo dela pode ajudar a outras instituições a abrirem as portas dando oportunidades de trabalho e capacitando outras pessoas na mesma condição.  

Desafios

“Ter saído do quilombo de Santa Luzia do Norte há 16 anos, sem nenhuma expectativa de vida profissional, não foi uma decisão fácil”, conta Jade, ao relembrar o início da trajetória como ativista. “Fui acolhida por diversas ONGs, que acreditaram e investiram em mim como mulher trans e negra, confiando em meu potencial”.

Fotos Jade Soares 1

Na busca por seus direitos e da comunidade LGBT, ao chegar a Maceió, Jade conheceu a ONG PróVida, que há 18 anos trabalha na promoção da cidadania e na garantia dos direitos humanos. Foi o ponto de partida para sua militância no Estado. “Estar como representante da comunidade LGBT em um cargo da Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos é uma conquista, para mim, para os LGBTs, e para a população negra”, completa Jade, que também é fundadora da ONG Metamorfose LGBT e secretária geral da Rede Trans Brasil.

Reconhecimento

O diretor da ONG ProVida, Eudino Alves, ressalta a importância da visão do governador de Alagoas, Renan Filho, e da secretária da Mulher e dos Direitos Humanos, Maria Silva, sobre a comunidade LGBT. “Esse é um momento de vitória para o movimento LGBTI de Alagoas, resultado do reconhecimento da secretária Maria Silva e da sensibilidade do governador Renan Filho, ambos têm desenvolvido uma gestão respeitosa e de inclusão de todas as minorias sociais”, afirmou.

Gestão Inclusiva

Para Mirabel Alves, superintendente da SUPDHIR da Semudh, é importante a contratação de uma mulher trans, especialmente porque vai trazer para a equipe a sua vivência, o que contribui para somar na compreensão e elaboração dos procedimentos em relação à comunidade LGBT.  “Jade é mulher trans, negra e quilombola, uma pessoa detentora de vários estigmas sociais e historicamente construídos, o que amplia os espaços de inclusão. A oportunidade de trabalho para pessoas trans ou das diversas minorias representa a cultura de inclusão e o reconhecimento da capacidade e competência profissionais, independente de expressões e identidades que fazem parte da intimidade ou subjetividade de cada pessoa”, disse.

Pensar políticas públicas eficazes e em sintonia com as necessidades da comunidade LGBT, assim como para qualquer outra minoria, que ainda reivindica direitos básicos para sair da marginalidade é necessário começar por ter representação desses grupos sociais dentro dos próprios espaços de poder, dentro dos quadros de servidores, explica a secretária Maria Silva. “É isso que estamos fazendo na Semudh. Tenho orgulho em dizer que nossa equipe respeita a diversidade, com a participação de uma mulher trans, e também de uma mulher de origem Romani”. (População originariamente nômade, conhecida popularmente como cigana).