Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Segunda, 03 Dezembro 2018 16:28
ARTE VINDA DO AÇO

Artista plástica alagoana vai confeccionar o troféu do Prêmio Alagoas de Direitos Humanos

Marta Arruda tem mais de 30 anos de carreira e uma história de vida de superação, conhece de perto a violência doméstica. Seu reconhecimento profissional já veio na primeira obra. O Troféu foi inspiração no amor, no acolhimento, na paz, nos direitos humanos

Texto de Cristina Sampaio

A artista plástica alagoana Marta Arruda foi escolhida para colocar sua arte em forma de troféu para o Prêmio Alagoas de Direitos Humanos, o qual vai agraciar três personalidades com trabalhos reconhecidos na defesa dos direitos humanos no Estado e no país. O Prêmio, uma iniciativa do Governo de Alagoas, por meio da Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos – Semudh vai homenagear, em evento no dia 07 de dezembro, o jornalista Caco Barcellos, o médico cirurgião vascular Hemerson Casado, e a coordenadora da Patrulha Maria da Penha, capitã Márcia Danielli.  

Marta Arruda tem mais de 30 anos de carreira, uma vida de muita superação pessoal e profissional, inclusive com episódios de violência doméstica. Mas nenhuma fase ela esconde, e os dramas da vida serviram para criar fortalezas e inspirações e encontrar o amor, o perdão e a resiliência, o que reflete em suas obras.

Alagoana de Maceió, nascida no bairro Levada, próximo ao mercado da produção e à linha de trem, Marta casou aos 14 anos e teve cinco filhos. Para se libertar dos maus tratos, abriu mão da condição financeira e saiu de casa com as crias.

Convivendo num ambiente profissional tipicamente masculino, Marta sabia que precisava de força, decisão e coragem para dar conta do dia a dia. E mostrou logo cedo que não havia limites nem tempo para o preconceito. Venceu todos. Era a única mulher soldadora nos canteiros de obras da empresa Mendes Júnior, que prestava serviços à Petrobras em Alagoas. Lá, aprendeu a impor respeito entre os “machistas” e a trabalhar a delicadeza nas peças de ferro e aço, que começaram a sair naturalmente quando podia parar o trabalho.

Marta Arruda Ascom Semudh 4

A arte que nasceu da greve

Num dos movimentos grevistas que participou nos canteiros de obras, Marta aproveitou o tempo e começou a esculpir com habilidade técnica e criatividade que nem sabia possuir. Usava sobras do material e pensava que estava fazendo no máximo um objeto de decoração para a própria casa. Mas ao mostrar a uma amiga, ouviu que aquela peça era uma obra de arte e que devia mandar para concorrer no Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco, em 1987. Resultado: foi selecionada e a exposição da sua primeira obra de arte foi um marco na carreira profissional, com um detalhe de ter sido julgada pelo poeta e crítico Ferreira Goulart, o qual estava entre a comissão do salão de arte.

Marta construiu uma carreira sólida como a dureza do material de suas obras, mas não perdeu a sensibilidade e a atualidade. A artista tem obras espalhadas em locais públicos e privados, como o Museu do Clube Militar do Rio de Janeiro, o Parque de esculturas do Sesc Guaxuma em Alagoas, além de participar de dezenas de mostras e exposições.  

Para a secretária da Mulher e dos Direitos Humanos, Maria José da Silva, a cultura da violência doméstica está tão arraigada e presente que ao se deparar com a história de vida da artista plástica não há como não admirar ainda mais a obra dela. “Marta Arruda tem a própria vida como obra de arte, pois está marcada por muita dor, mas também superação e alegrias. Foi a artista certa pra criar uma obra com a temática dos direitos humanos”, disse.