Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Sexta, 19 Novembro 2021 21:26
RECONHECIMENTO

Semudh realizará Prêmio Tia Marcelina 2021

Solenidade agraciará personalidades e entidades que se destacam no empoderamento e valorização da cultura negra em Alagoas

Última edição do evento aconteceu em 2019 Última edição do evento aconteceu em 2019 ASCOM SEMUDH
Texto de Joanna de Ângelis

A Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh) realiza na próxima terça-feira (23) a solenidade de entrega do Prêmio Tia Marcelina, que é conferido a pessoas e instituições que defendem a igualdade racial e lutam contra o preconceito e a discriminação. A solenidade ocorrerá no Jatiúca Hotel e Resort, a partir das 18h, em alusão ao mês da Consciência Negra.

Os homenageados são personalidades e entidades que trabalham pela proteção, valorização e reconhecimento da cultura negra em Alagoas. Entre os agraciados, estão figuras que se destacam em áreas distintas de atuação, como por exemplo, o historiador Célio Rodrigues dos Santos, conhecido como Pai Célio, como membro do Fórum Permanente Educação e Diversidade Étnico Racial do Estado de Alagoas, diretor do primeiro Ponto de Cultura afro-brasileiro, Babalorixá há mais de 36 anos, ligados a tradição jeje–nagô e diretor-presidente do Núcleo de Cultura afro Brasileira Iyá Ogun-té, fundado em 1984.

Outros homenageados são:Marco Antônio de Campos, paulistano, Babalorixá de Umbanda há 22 anos, produtor de Eventos Socioculturais e coordenador Pedagógico dos Pontos de Cultura “Resgatando a Cultura para um novo Tempo” da cidade de Ibateguara/AL (2009/2017), e, do Ponto de Cultura “Multiplicador Social do Bumba meu Boi” da cidade de Maceió/AL (2017/2019), atual presidente da Associação Patacuri – Cultura, Formação e Comunicação Afro Ameríndio; José Ferreira Santana, mais conhecido como Zé Duda, mora na comunidade Quilombola Mameluco, Zona Rural de Taquarana, é liderança em favor da inclusão das comunidades quilombolas e realiza trabalhos em defesa da garantia das políticas públicas para os quilombos de Alagoas.

Alberto Jorge Ferreira dos Santos, o Dr. Betinho, como é conhecido, advogado e atual presidente de Comissão de Promoção da Igualdade Social da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/AL, e membro da Associação de Advogados Negros Nacional – ANAN e Edson Moreira, professor, pesquisador e historiador, que também foi presidente da Fundação Afonso Arinos e fundador do Museu Quilombo Real, espaço com incríveis obras e documentos sobre a história do negro no Brasil, como uma pintura do Jesus Cristo negro e uma cópia da Lei Áurea, fecham a primeira parte da lista de homenageados.


Força e Representatividade Feminina

As mulheres dominam a edição 2021 do Prêmio Tia Marcelina, com muitas histórias de garra e determinação. Entre elas, estão: Eulina Ferreira, mulher negra, policial civil, que presidiu o Conselho Municipal da Condição Feminina nos anos 2000, integrou o Fórum Autônomo de Mulheres, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher - CEDIM e o Instituto da Mulher; Sophia Braz, professora, presidente da associação LGBTQIA+ e Candomblé Grupo Iguais de Coruripe, Yalorixá, e militante do movimento negro; Cícera Vital, presidente do Instituto Irmãos Quilombolas, Quilombola de Jussara, defensora das comunidades de Santana do Mundaú.


S
irlene Gomes, graduada em Dança pela UFAL, capoeirista, produtora cultural, foi selecionada no Edital Fundo Baobá para empreendimentos de negras e negros; Luciene Pereira Dias, conhecida por Mãe Luci, contando já 80 anos de vida e 63 de Candomblé, é um patrimônio vivo das culturas afro-brasileiras, em plena atividade como Iyalorixá, contando já centenas de iniciações em Alagoas e pelo Brasil e se destaca no contexto local por seu ativismo e presença de espírito na intransigente defesa da liberdade religiosa.


Dra. Marli de Araújo, professora-adjunta da Universidade Federal de Alagoas e Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígena Campus Arapiraca. Jade Soares, mulher trans e quilombola de Santa Luzia do Norte, fundadora da primeira ONG LGBT do município e secretária Geral da Rede Trans Brasil e Genilda Maria, l
iderança do quilombo Carrasco durante duas décadas, um período de muita luta e realizações, conselheira do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial – CONEPIR e presidente da Coordenação Feminina de Quilombolas – As Dandaras.

A Federação Zeladora das Religiões Tradicionais Afro-brasileiras em Alagoas (Fretab), será a instituição agraciada pelos 49 anos prestados de serviços ao povo das religiões de matriz africana, lutando pela integridade e proteção da valiosa cultura afro-brasileira.

O Prêmio

O prêmio foi criado em homenagem à Tia Marcelina, uma ex-escrava africana de Janga, Angola, e descendente do Quilombo dos Palmares e de família real africana. Junto a Manoel Gelejú, Mestre Roque, Mestre Aurélio e outros, fundaram os primeiros Xangôs do Brasil, no bairro de Bebedouro, em Maceió. Ela morreu durante o “Quebra de Xangô”, movimento que perseguiu e torturou em 1912 representantes das religiões de matrizes africanas.

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Edições Anteriores

Os homenageados de 2018 foram: Fabíola Silva, mulher negra e travesti, fundadora da ONG Pró-Vida; Rosa Mossoró, reconhecida ativista cultural em Alagoas; Ana Cristina Conceição Santos, ativista negra no campo acadêmico, professora do Campus Sertão da Universidade Federal de Alagoas. Maria Joana Barbosa, líder quilombola da Comunidade Carrasco, em Arapiraca; Pai Alex Gomes, como é conhecido, o babalorixá e mestre juremeiro, religião afro ameríndia típica do Nordeste. A diretora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Ufal, Lígia dos Santos Ferreira e Arísia Barros, professora, escritora e coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas de Alagoas.

Já em 2019: Valdice Gomes da Silva, jornalista; Eliane Silva, coordenadora nacional do MTST; Mãe Mirian, mais antiga matriarca da religião afro-brasileira em Alagoas; Amaro Félix Filho e Alaíde Bezerra dos Santos, quilombolas e lideranças do povoado de Tabacaria, em Palmeira dos Índios, e Ana Paula de Oliveira Santos, liderança da comunidade de pescadores da Barra de Santo Antônio. Duas entidades: APOIME – Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo e o Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô.