Notícia

Mulher e Direitos Humanos

Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos do Estado de Alagoas
Sexta, 26 Fevereiro 2021 18:25
PROTEÇÃO

Em seis meses, CEAM registra mais de 70 Boletins de Ocorrência

Registro de B.O. é um dos diversos serviços ofertados pelo Centro de forma humanizada

Serviço foi inaugurado na campanha do Agosto Lilás 2020 Serviço foi inaugurado na campanha do Agosto Lilás 2020 Letícia Sobreira
Texto de Letícia Sobreira

Quebrar um ciclo de violência é um ato de coragem, mas também uma tarefa dolorosa, angustiante, assim como todo o caminho percorrido até que uma mulher chegue ao Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM). Foi assim, frágil e cheia de medos que Juliana* chegou até o CEAM. “Ter tido o primeiro contato online me fez perder um pouco da apreensão, porque eu estava com medo de sair logo após o que me ocorreu. No primeiro momento eu estava muito assustada, por ter viaturas na porta. Ao mesmo tempo me senti bem, as cores, nas viaturas, nas paredes, me acalmaram”, descreveu a jovem de 25 anos.

“Eu consegui ir com a companhia das minhas amigas. Lá me explicaram que por eu ter tido um primeiro contato on-line, elas iriam verificar e conversar comigo sem eu ter que repetir o que sofri, depois eu ficaria na Sala Lilás. Eu fiquei confortável também pela equipe já saber um pouquinho do que eu passei e consegui contar”, relata Juliana.

Dentre os seus serviços o Centro Especializado de Atendimento à Mulher oferece a possibilidade de confecção de boletins de ocorrência, realizado dentro do próprio CEAM. A conquista foi garantida pela articulação da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos – Semudh, junto à Secretaria de Estado da Segurança Pública – SSP, por meio da Polícia Civil de Alagoas.

A jovem realizou um dos mais de 70 boletins de ocorrência registrados no CEAM em apenas seis meses desde a disponibilização do serviço. Foram contabilizados 58 registros de agosto a dezembro de 2020 e outros 16 até o início de fevereiro de 2021. Além dos boletins de ocorrência, o CEAM também disponibiliza assistência jurídica, social e psicológica para mulheres vítimas de violência, formação de grupos terapêuticos, orientação e apoio às famílias das mulheres atendidas e articulação com a Rede de Atendimento à Mulher.

“Depois do serviço de registro de Boletins de Ocorrência, o fluxo de atendimentos no CEAM aumentou consideravelmente. Mas a mulher não só chega lá e faz o boletim, ela passa antes pela equipe multidisciplinar, porque a gente entende que existem outras necessidades. Essa mulher vítima de violência precisa ser atendida de forma mais ampla”, conta Martha Ferreira, coordenadora do Centro.

Etapas do atendimento

 Ao chegar ao CEAM, a mulher passa por uma espécie de triagem e logo é encaminhada para a Sala Lilás, onde é ouvida pela equipe multidisciplinar, composta por uma psicóloga, uma assistente social, uma advogada e até uma policial civil, todas capacitadas para esse tipo de atendimento. Depois da escuta, as profissionais apresentam quais são os dispositivos disponibilizados pelo Estado acolher as mulheres vítimas de violência de gênero, de acordo com as necessidades de cada uma.

 “No atendimento com a equipe ela passa os detalhes mais minuciosos, e o B.O. é mais resumido, para ela não ser revitimizada”, explica Eulina Neta, policial civil responsável pelos registros dos boletins no CEAM. “A mulher vai relatar no atendimento a agressão, a ameaça, os fatos que antecederam a violência, de forma mais completa. Quando ela vem para confeccionar o B.O., ela já está mais calma e fortalecida, o atendimento é humanizado”, completa a agente policial.

Dilma Pinheiro, superintendente de Políticas para as Mulheres, explica porque o processo de atendimento no CEAM acontece de forma humanizada. “A gente tenta trabalhar da forma mais delicada possível, porque sabemos da dor das mulheres que conseguem chegar até nós e entendemos que antes de qualquer coisa ela precisa ser fortalecida, entender que não é culpada pelo que quer que tenha acontecido e que ela não está sozinha nesse processo”, diz.

Ambiente acolhedor

“Se não houvesse esse Centro, talvez eu nunca denunciaria”, relata Juliana, que conheceu o CEAM através de um amigo que é assistente social. “Eu entendo a importância da delegacia, mas para uma pessoa fragilizada, que no primeiro momento quer ajuda, quer ser ouvida sem ser julgada. Lá eu me senti acolhida. Eu estava me sentindo muito culpada, pra mim, eu tinha me permitido, que tudo aconteceu porque eu deixei e quando eu pensava em delegacia, achava que iriam questionar isso, e eu me senti muito impotente”, relata a jovem.

Juliana conta que chegou ao CEAM buscando orientação sobre como proceder com o que tinha lhe ocorrido. Depois de ser ouvida no atendimento, tomou conhecimento do serviço de registro de boletins de ocorrência no local. “Por ser naquele ambiente, com pessoas que tinham me ouvido, e pelo ambiente não parecer uma delegacia, eu consegui”, conta. Sobre sua vivência pessoal, ela afirma que hoje é uma pessoa que está em evolução. “Eu estava sendo dominada, não só pelas palavras, mas pelos sentimentos. Eu não tinha totalmente um domínio de mim. Agora eu me considero no processo de evolução, para poder acreditar em mim, para me amar e me empoderar”.

 “Acredito profundamente que não basta apenas criar políticas públicas em defesa das mulheres, é preciso efetuar serviços que funcionem realmente, que acolham, que acompanhem, que ofereçam meios de fortalecimento para que a mulher quebre definitivamente qualquer ciclo de violência. Trazer a realização de boletins de ocorrência para dentro do CEAM foi uma conquista enorme para nós, estamos trabalhando a todo custo para evitar que as mulheres vulnerabilizadas precisem passar por ambientes hostis, como enfrentando fila de atendimento nas delegacias especializadas e até mesmo garantindo um atendimento digno”, diz Maria Silva, secretária de Estado da mulher e dos Direitos Humanos.

Informações importantes

O Centro Especializado de Atendimento à Mulher está localizado na Rua Dr. Augusto Cardoso, no bairro Jatiúca, em Maceió, com atendimento ao público das 8h às 17h, e pelo telefone (82) 3315-1740. Nos casos de acolhimento, está sendo realizado atendimento psicológico online nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 8h às 17h, através do contato: (82) 988676434, da psicóloga Goretti Jatobá.

A denúncia de violência doméstica e/ou familiar também pode ser realizada de forma anônima pelo Disque 180, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, pelo Disque-Denúncia 100 ou ligando para o 190 da Polícia Militar. Outros telefones úteis são:

Superintendência de Políticas para a Mulher: 98833.9078

Núcleo Especial de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública de Alagoas – NUDEM: 98833-2914

Delegacia de Defesa da Mulher I (Centro): 3315-4976

Delegacia de Defesa da Mulher II (Salvador Lyra): 3315-4327

Delegacia de Defesa da Mulher III (Arapiraca): 3521-6318

Juizado de Violência Doméstica e Familiar (Maceió): (82) 9 9982-3059

Comissão da Mulher e Direitos Humanos da OAB/AL: (82) 99104-7116